28 de novembro de 2008

Santa Cruz plural desde sempre


Santa Cruz do Sul é pluri-étnica e policultural, tchê! Antes de mais nada, é um município brasileiro, com afluxo de grupos de vários lugares do mundo e do próprio Brasil.

Um dado: 23% da população santa-cruzense é afro-descendente, conforme pesquisas de professores da Unisc.

O nosso município é um projeto do governo provincial, iniciado com o loteamento de florestas dentro da área (enorme) do município de Rio Pardo. A própria cidade, que segue o modelo ortogonal lusitano (usado em outros projetos urbanísticos do império português - caso de Maputo, capital de Moçambique - e depois seguido pelo do Brasil), é obra de um cara chamado Francisco Cândido de Castro Menezes. A denominação original de Santa Cruz era Faxinal do João Faria (referência ao sesmeiro João Faria Rosa), povoado formado muito antes da introdução (subsidiada com recursos estatais), em 1849, de colonos sem terras de países do norte da Europa (à época não existia a Alemanha, aliás).

Precisamos conhecer melhor a história local. Vamos perceber a diversidade de influências culturais compondo a comunidade. Só o fato do chimarrão - uma bebida de índios sul-americanos - ter sido adotado pelos teuto-descendentes, já ilustra o quanto há de interpenetração cultural. Enfim, purismos não existem - a não ser em cabeças muito do fechadas.

Eu acho que várias coisas relacionadas, por exemplo, à "cultura alemã", como a Oktoberfest em Santa Cruz, são quase totalmente artificiais - algo "para turista ver". Nunca houve Oktoberfest no município até os anos de 1980, quando "importou-se" a festa para substituir a FENAF. O que havia eram os kerbs e outras festividades - aí sim - autênticas das comunidades teuto-brasileiras, já em interação com as gentes e cultura(s) gaúcha e do Brasil.

Mas o maior problema que vejo é se construir e referendar a idéia de que "Santa Cruz é germânica", excluindo ou menosprezado outros grupos, outras referências étnicas. Isso é desconhecer a complexidade e amplidão da história local - que é muito mais do que dizem os hinos, monumentos e festas "oficiais".

E não estou menosprezando a fundamental participação dos imigrantes europeus e a cultura teuto-braileira na formação de Santa Cruz. O que eu acho, como tentei dizer, é que o "cultivo da tradição germânica" não pode implicar numa simplificação da história local e a exclusão de outros grupos nas origens, composição e história da comunidade santa-cruzense.

E olha só: em outubro de 1900, chegaram em Santa Cruz do Sul, como colonizadores, 90 CEARENSES, que ocuparam zonas chamadas "serranas" aqui do município. Além de gente do norte da Europa, temos gente do nordeste brasileiro - e de muitos outros lugares!

Nenhum comentário: